Artigo escrito pelo nosso gerente de Ecoeficiência e Energia, Fabio Cirilo
Há décadas, a comunidade científica tem alertado sobre os efeitos das emissões crescentes e recordes de concentração de gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera, como o aquecimento da temperatura média global e os consequentes eventos extremos ligados às mudanças climáticas, provocados principalmente pelo consumo de combustíveis fósseis e mudanças no uso do solo. O ano de 2024 trouxe três grandes marcos em relação às mudanças climáticas.
Vivemos eventos extremos, como as chuvas no Rio Grande do Sul, que atingiram mais de 400 municípios e afetaram cerca de 2 milhões e 300 mil pessoas, de acordo com os dados da Defesa Civil do Estado, no mesmo ano em que a região Norte do país registrou uma seca histórica. Na Espanha, chuvas torrenciais afetaram diversas cidades na região de Valência, com 216 mortes registradas. Nos Estados Unidos, os furacões Helene e Milton atingiram intensidades nunca vistas anteriormente, para citar apenas alguns exemplos. Em termos geopolíticos e econômicos, a COP29, que aconteceu em Baku, no Azerbaijão, sofreu muitas críticas, com poucos avanços nas negociações e um resultado tímido na agenda de financiamento climático. O montante que os países ricos se comprometeram a investir para que os países em desenvolvimento possam avançar em adaptação e mitigação foi infinitamente menor que o esperado. E, por fim, um passo importante foi dado pelo Brasil com a sanção da Lei 15.042 pelo Governo Federal em 12 de dezembro, que regula o mercado de créditos de Carbono, após um longo período de tramitação na Câmara e no Senado.
Essa nova lei representa um avanço de governança relevante para o Brasil e os próximos dois anos serão cruciais para a regulamentação desse mercado. Nesse período devem ser definidos os critérios de limites de emissões, alocação das permissões, as metas para cada setor industrial e os trâmites sobre como medir, reportar e como serão auditadas as emissões de CO2, entre outras questões importantes para o bom funcionamento do mercado. Posteriormente, haverá uma fase de testes para as empresas para que haja a adaptação ao sistema. De forma prática, as indústrias devem começar a sentir o efeito da regulação do carbono a partir de 2029/2030, como mais uma ferramenta para estimular o desenvolvimento de iniciativas de descarbonização. Temos a expectativa de que esse sistema seja uma injeção de eficiência na indústria brasileira e um instrumento importante para pavimentar o papel do Brasil como a potência ambiental que lhe cabe.

